sábado, julho 15, 2006

Exames

Tinha aqui referido, há algum tempo, o facto dos exames de Química terem enorme potencial para gerar confusão. Ela aí está! Água, dirão alguns...
Image Hosted by ImageShack.usTudo seria de fácil resolução, não fosse o nível de envolvimento dos pais, dos professores e dos próprios alunos. Os exames de Física e de Química são este ano o "calcanhar de Aquiles" do Ministério da Educação, mas os pais que se preparem para o futuro, pois a percentagem de chumbos veio, não para ficar, mas para aumentar. A menos que o ensino superior faça enorme pressão (e já começaram a fazer) este nível de exigência faz parte de uma lógica que só pode ter continuidade nos próximos anos.
Tratar-se-à de uma tentativa de, por via indirecta, pôr ordem no Ensino Superior?
Parece-me um argumento demasiado simplista. As raízes são mais profundas.
O povo adorou ouvir o Primeiro Ministro discursar a propósito das virtudes da Finlândia, mas jamais imaginaria o imperativo de começar no 12.º a fazer os engenheiros para a Nokia (ou Noikinha) portuguesa. Pois é... A globalização de Bush tem destas coisas e parece ser inconsequente discutir (nem o Bloco o faz) a sua virulência para Países como Portugal. Com mais recuo ou menos recuo, a Física ou a Química, vão-se preparando para um nível de exigência crescente. Esperemos que a Ministra tenha o bom senso de não voltar a acusar os professores. Com receio dessa inabilidade (com tendência para o tiro no pé), já vieram alguns históricos do PS garantir que, desta vez, a culpa não é dos professores. Haja tino!
Um objectivo tão estruturante e tão nobre para um País como é o da qualificação da Educação / Ensino, não casa com a bazófia simplista da culpabilização. Claro que esse facilistismo é tão tentador que até alguns professores o absorvem e, por essa via, desatam a atirar culpas para a rectaguarda, ignorando que também são pais e que, de rectaguarda em rectaguarda, vêem a pescadinha meter o rabo na boca. É por isso que a culpabilização pára no 1.º Ciclo, para deixar o pré-escolar como território tampão.
Penso, aliás, que essa culpabilização dos professores premite alimentar preconceitos muito nefastos para a consecussão do objectivo primordial. Vejamos: É ou não verdade que os pais a quem a Escola aconselha percursos escolares alternativos a partir de 7.º. 8.º ou 9.º Ano, tendem a recusar tal aconselhamento? É! E é cada vez mais verdade, precisamente porque os pais consideram que os filhos só não conseguem ter sucesso porque os professores ensinam pouco e mal.
Atendendo à complexidade das questões não me surprende que se queiram passar mensagens fáceis para o público em geral, mas surpreende-me o facto de se ignorarem os professores no processo de reformas absolutamente necessárias. Essa insistência em decidir sem tentar compreender minimamente a realidade dificilmente dá resultados positivos.

2 comentários:

Miguel Brás disse...

Olá,

não me interessa comentar as já constantes "argoladas" daqueles que nos governam, mas considero um pouco injusto desculpabilizar na totalidade os professores.

É também deles este fracasso nos exames, primeiro porque se calhar não sabem tornar a aprendizagem motivante e segundo porque se calhar a maioria deles está já na fase de "fazer umas coroas para os meus gastos e chega". Não posso deixar de passar em vão o facto de (por conhecimento pessoal) saber que existem professores que se dedicam com grande afinco às explicações que vão dando pela "porta do cavalo" e na sala de aulas apenas debitam a matéria e esperam que os alunos tirem as suas conclusões adequadamente.

O ensino está doente, talvez até mesmo já em estado vegetativo mas aqui a culpa não morre com as facções politicas, morre também com quem faz parte da máquina de ensino nos escalões intermédios e baixos.

Abraço
MB

José António disse...

Considero que tem alguma razão no que escreve. Concerteza que também haverá culpados a esses níveis, porém o ensino/educação chegou a um estado muito complexo, precisamos de políticos que tomem medidas estruturantes e, ainda assim, temos de ter paciência e esperar anos até ver resultados. Em educação as coisas demoram muito tempo. O problema é que culpar os professores não me parece sem estruturante, talvez até ajude a desestruturar. Em que sector da actividade não há incompetência?
Brevemente escreverei sobre o que considero medidas estruturantes, do pré-escolar ao secundário. Agradeço o seu comentário que considero pertinente.

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