sexta-feira, abril 13, 2007

Dar Música

Quando há um ano atrás, a propósito da CIF (Classificação Internacional da OMS, incidindo na Funcionalidade, Incapacidade e Saúde) aplicada à educação, voltei a ouvir aquelas ladainhas do costume, provenientes de cabeças iluminadas por ideias obtusas, pensei para comigo: Desta vez, apesar do propósito latente de mostrarem que estão a pôr ordem no Mundo, nem uma caracoleta vão convencer. Com a esperança e a fé de quem dispensa a ciência, insistiram, insistem e parecem dispostos a penetrar mais profundamente no erro. Mesmo um pequeno caracol, enredado naquela baba espessa, para além de rastejar, é capaz de perceber, sem esforço de maior, que se trata de poupar nos frescos "bilhetes verdes". A tentativa desastrada de justificar a opção, partindo de argumentos técnico-científicos, viola a regra número 1 de qualquer cartilha para a sensatez. Com que então, 9% dos alunos não conseguem aceder ao currículo regular, apesar de não terem necessidades educativas especiais? Parece uma ideia inócua e generosa para os alunos, porém, quando perguntamos porque é que não conseguem, a coisa complica-se. Serão os professores que têm necessidades explicativas especiais? Será do currículo?
Quando há algum tempo coloquei estas questões, a resposta saiu sempre mais perto do "Fum-Fum-Lagartixa", do que de uma explicação minimamente convincente; daí o acordeonista que ilustra o texto.
Por graça - não via, nem vejo outra maneira de lidar com a questão - publiquei aqui um post em que associava a CIF à conhecida marca de produtos de limpeza. Apesar da publicidade incorporar exagero, uma boa vassourada com subsequente esfregadela, melhoraria, penso eu, o encardido.
Luís de Miranda Correia, proeminente Professor Catedrático, decidiu agora escrever uma carta aberta à Ministra. O homem do ponto de vista científico tem toda a razão do Mundo, o que não é surpreendente se tivermos em conta o seu currículo. O que me surpreende é que da sua cabeça ainda possa escorrer inocência, a ponto de o levar a escrever: "...os objectivos em que se apoia a reorganização da educação especial, formulados pela Secretaria de Estado da Educação e, por arrastamento, pela DGIDC, são da responsabilidade de indivíduos que embora detenham o poder de decisão, não parecem ter em conta o conhecimento científico, nem possuí-lo, mas tão-somente as suas verdades e prioridades".
"Não parecem ter em conta..."? Luís de Miranda Correia, para além de ser um homem da psicologia, é claramente um homem de fé. Valha-nos Deus...

2 comentários:

Cakau disse...

Caro José,
Obrigada pela visita ao Paraíso. Vim retribuí-la e conhecer este espaço (com o nome bem apropriado).

Beijinho e boa semana!

Menina do Rio disse...

Visita breve pra dizer que não vos
esqueci e deixar meu beijo carinhoso

Na impossibilidade de escrever por estes
dias, posteio poema de uma amiga que
veio bem a calhar...

Desejo-te uma ótima semana!

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