terça-feira, agosto 07, 2007

A carta


Para sintetizar o episódio do extravio das recomendações que o Provedor de Justiça fez aos responsáveis do Ministério da Educação a propósito do concurso a Professor Titular, nada melhor que pegar num poema. Cá vai "O Namoro" de Sérgio Godinho com as alterações que o caso "reclama".


O Namoro
Mandei-lhe uma carta da Provedoria
e com letra bonita eu disse, ela tinha
um ar comprometido
jurando p'las almas
não ter recebido...

eu mandei-lhe essa carta
e ela não disse que não

Mandei-lhe um cartão
digitalizado:
“flagrantes injustiças!”
num canto “sim”, noutro canto “não”
e ela o canto do “não” dobrou

Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete
pedindo e rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Sta Efigénia
e ela disse que não

Mandei à Xica, quimbanda da fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço bem forte e seguro
e o feitiço falhou

Andei barbado, sujo e congelado
como um monangamba procuraram por mim
não viu, não viu, não viu o Benjamim
e perdido me deram no morro da Samba

Para me distrair levaram-me ao baile
do Sr. Charrua, mas ela lá estava
num canto a rir, contando o meu caso ...

e insistindo que não...

2 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Tiveste piada.
E arte e engenho para adaptar o poema à peripécia do já-mandaste-mas-eu-não-recebi...
Bom Domingo, abraço.

SaltaPocinhas disse...

ahahah!
muito engraçado!

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