domingo, fevereiro 03, 2008

A bombista suicida

A avaliação, essa bombista suicida, conforme foi planeada pelos responsáveis do Ministério de Educação, conflitua de tal forma com a tão propalada Escola inclusiva, que pode facilmente - e de acordo com a Lei - torná-la, em poucos anos, na Escola menos inclusiva do espaço europeu. E é pena, pois, embora os dados nunca tenham vindo a lume, somos actualmente pioneiros, a nível europeu, no que respeita à capacidade de aceitar facilmente a diferença, em meio escolar. Não consigo perceber porque é que os estudiosos do ensino, que inacreditavelmente evitam trabalhar com crianças - provavelmente imaginam que Piaget ou Maria Montessori tiveram uns sonhos esquisitos a propósito de crianças - não lhes dá no espírito investigador, espreitarem os alunos de étnia cigana, nas Escolas de França, por exemplo.

Vamos por partes:

1 - Indicadores de medida


No Agrupamento de escolas de "Moimenta Sem Eira Nem Beira", os professores decidem comparar resultados entre alunos dos vários anos de escolaridade (1.ºs anos comparam com 1.ºs anos; 5.ºs comparam com 5.ºs).
Possível? Possível e legal.


2 - Critérios para constituição de turmas


Os critérios pedagógicos para constituição de turmas, previstos na Lei, são vagos, muito vagos. Portanto, os futuros membros do "Conselho de Escola" - onde, suponho, estarão em maioria os Encarregados de Educação de uma das turmas que serve de termo de comparação (olá 5.ºA; até rima) -, decidem que no Regulamento Interno do Agrupamento não devem constar critérios a observar na formação de turmas.

3 - Ano lectivo 2008/2009 - Turmas legalmente constituídas
(no hipotético Agrupamento de Escola de Moimenta Sem Eira Nem Beira)


5.º A - Bons alunos;
5.º B - Alunos razoáveis;
5.º C - Alunos;
5.º D - Alunos fracos;
5.º E - "Maus alunos".
Para quem estará guardado o 5.º E?
A avaliação interna ponderará a especificidade do 5.º E?
Considera-se justo que os instrumentos de avaliação sejam iguais, na forma e no conteúdo, para todos os alunos do 5.º ano?
E a avaliação externa? É pá! Essa já sabemos que será igual para todos...

Talvez não fosse má ideia os jovens professores debruçarem-se - não convém que o façam muito afincadamente, por causa da coluna vertebral - sobre o assunto.

Dou de barato a falta de rigor nos procedimentos, embora considere ridículo que se exija rigor quando o desenrascanço é prática. Não posso é aceitar que a Lei não seja clarificada e que se acelerem processos que visam criar ruído e instabilidade. Esses procedimentos conduzem frequentemente à reanimação do disparate. E que disparate! Um dispare que pode contribuir para baixar irremediavelmente a nossa dimensão cultural.

2 comentários:

SaltaPocinhas disse...

eu, como não quero ter problemas de coluna, não conto debruçar-me sobre esse assunto...
vá de metro, satanás!! (e já agora leve aquela-senhora-de-quem-não-se-pode-dizer-o-nome!!)

um das artes disse...

Ainda bem que há blogs como este!
Deviam ser muito mais divulgados na comunicação social, uma vez que parece difícil encontrar-se algum psiquiatra que injecte qualquer substância a este "trio maravilha" do ME que lhes ponha os neurónios a funcionar claramente!

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