segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

Então um homem tão persuasivo no que respeita a avalição de professores... tão inchado de perspicuidade... tão bom escritor... Quando li a notícia, de tão azoinado, imaginei estar a dar continuidade a um sonho de ontem, onde um pescador, do seu triciclo, propagandeava carapau fresco, capturado em Santa Bárbara de Nexe. Só ao segundo café, depois de voltar a ler a notícia no Diário de Notícias, me veio à caixa dos pirolitos aquela máxima: "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço."
Façam favor de ler... E a senhora é "titular"... e, ainda assim, o homem não exige que se publique a avaliação realizada a propósito da sua obra... Interessante...



“Sim, fui censurada pelo ‘Expresso’”, afirma ao CM Dóris Graça Dias, que não viu no semanário, no dia 1 de Dezembro último, a sua crítica ao livro de Miguel Sousa Tavares, colunista do jornal. O caso causou “estranheza” à jornalista e professora universitária, “mais ainda”, diz, “por ver publicado, numa secção dedicada a recensões críticas, um conjunto de opiniões sobre o tema que não fora discutido na reunião [15/01/2007, entre editor e colaboradores/críticos de livros], nem tratado alguma vez em qualquer parte do jornal, relativa à questão ‘romance histórico’ aplicada a ‘Rio das Flores’, e onde se referia que os oito questionados haviam admitido não ter lido o livro”.

Dóris Graça Dias contactou o editor de então da ‘Actual’, Miguel Calado Lopes, sendo-lhe, sempre, “adiada uma explicação”. No final da segunda semana após a não publicação do artigo na revista do ‘Expresso’, “através de mais um telefonema meu, o editor disse-me que a recensão chegara a estar paginada, fora lida pelo director” e que este “o chamara e se exaltara”, razão pela qual, conta a crítica, Miguel Calado Lopes “achara por bem suspender a publicação. Acrescentou, então, que a crítica era para publicar, mas que queria falar comigo para eu fazer algumas alterações ao texto. Disse-lhe que não o faria”.

O director do título confirma: o texto esteve paginado. E explica a sua retirada: “Não era uma crítica, mas um ataque ao autor. Dei uma vista de olhos e reparei que não se informava sobre o que tratava o romance, em que tempo histórico se passava e onde.”

Henrique Monteiro já se queixou da “senhora – não a conheço, cruzei-me três ou quatro vezes com ela no corredor – ao Conselho de Redacção” e sublinha que o facto de a obra ser da autoria de um colunista do ‘Expresso’ “nem sequer vem ao caso. O Miguel Sousa Tavares não sabe de nada”. Rejeita, também, a acusação de “censura” e interroga-se sobre o facto de a crítica literária “ não o ter contactado e de “ainda continuar a colaborar” no jornal, até porque Dóris Graça Dias demonstrou “não saber o que é uma crítica de um livro”, lembrando que a jornalista “escrevia numa revista de moda”. A crítica literária ainda ontem assinava um texto no jornal. Interpelado sobre isso, Monteiro diz que se trata de um sinal inequívoco da “tolerância e independência” do ‘Expresso’, que, até, chegou “a criticar o dr. Balsemão”, dono do título.

“Vivo do meu trabalho”, vinca a crítica, explicando a razão de continuar a escrever no jornal. “O objecto em causa não merece o sacrifício de ninguém. Já tive a minha quota-parte ao inutilizar muitas horas de trabalho para ler um texto desinteressante de mais de 600 páginas e fazer-lhe a crítica – que não foi publicada e que, por isso, dado o meu estatuto de colaboradora do jornal, não foi paga”, diz.
Correio da Manhã 03-02-2008

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